Saturday, June 14, 2014

Martinha a ver um documentário sobre tubarões e a fazer-me mil perguntas sobre os ditos.

"Marta, porque é que não ouves o documentário com atenção? Estão a passar imensas informações sobre os tubarões."

"Mas Mãe, não me tinhas dito que não devíamos acreditar em nada do que ouvimos na tv?".


Thursday, May 22, 2014

Efémero.


Hoje pela primeira vez a torre Eiffel pareceu-me relevante, bonita. Como todas aquelas coisas da vida que julgamos efemeras e que, com o tempo, se revelam mais fortes e marcantes do que alguma vez as pudemos imaginar. Normalmente em Paris, este monumento é o que mais me passa ao lado. Sendo esta a minha sexta ida à cidade, tinha de escrever um pouco, pôr no verbo o sentir.


Saturday, May 10, 2014

Desabafo de sábado, pós-praia.


A capacidade de ser alegre é perfeitamente subestimada na nossa sociedade. Devia haver uma disciplina que nos desse ferramentas para desenvolvermos a alegria nas nossas vidas. Há pessoas que acham que mostrar que estão alegres ou mostrarem apenas um sorriso é sinal de fraqueza e até de burrice, como se os outros, os que sorriem, tontos que são, não percebessem a quantidade de problemas que há no mundo. Como se não sentissem com intensidade como eles sentem, porque estão macambúzios. Como se sorrissem porque a vida lhe é mais fácil. Sorrir é cada vez mais uma necessidade, uma forma de estar na vida. Principalmente para quem tem filhos e lhes quer ensinar do modo possível a arte da alegria.   

Sunday, May 04, 2014

Amor de Mãe.


O amor de mãe emociona-me verdadeiramente. Às vezes oiço pessoas dizerem que ser mãe é algo que se programa e organiza; também já ouvi esta coisa extraordinária "ter filhos é um projecto"; algo me falta, talvez o chip da listinha para colocar "check" nas coisas que é suposto serem vividas, nas idades e na sequência certa: curso, emprego e carreira, carro, casamento, filhos. Esse chip falta-me e ainda bem, se calhar foi por isso que a crise não me surpreendeu assim tanto. Eu fui mãe por amor e porque estava pronta para o exercício maior de altruísmo, que é dar vida a um ser que sabemos que não nos pertence. Quando a Marta nasceu, senti-me uma criança, pensei: e agora? o que vou fazer?, isto agora é mesmo a sério e para sempre, tenho aqui um bebé, é uma realidade, não parava de olhar para ela, dei-lhe colo ininterrupto quase até aos 3 anos, mama até aos 22 meses, no hospital, nos 3 dias em que lá fiquei quando ela nasceu, levava-a ao colo para a casa-de-banho...fiz montes de coisas e faço que sei que são muito boas e outras muito erradas. Não construí um castelinho cor-de-rosa, de papá e mamã, que bonitos que ficam na foto (e ficam, mas cada um com a sua família bonita) , construí uma vida de verdade, na qual estamos ambas para sermos felizes e respeitarmo-nos a nós próprias e a quem nos rodeia, mesmo que queiramos fazer coisas que os outros não compreendem logo à partida. Um dia o meu pai disse-me "eh pá, nunca pensei que fosses logo tão boa mãe". A Marta tinha 4 meses e este elogio para mim foi inesquecível por várias razões, mas principalmente porque o meu pai não é de elogiar. Olho para a minha mãe, para a minha avó e lembro-me que em cada momento duro da minha vida nunca as ouvi dizer assim "eu avisei-te" ou "não contes comigo". Só ouvi o silêncio da aceitação, o apoio e um relembrar ao de leve: "agora aprende com isto". E eu aprendo é com essa entrega...aprendo mais com a minha avó, com a minha mãe e com a minha filha do que com qualquer outra pessoa. Porque elas relembram-me do meu caminho e do meu dever: Verdade e Amor. Nunca me passou pela cabeça que ia ser fácil, se calhar há pessoas que se desiludem porque acham que vão estar preparadas se forem a aulas, se tudo à volta delas estiver meticulosamente organizado...depois vem a realidade a abana tudo...há pessoas que não gostam de "abanar" nada. Que acham que ser feliz vem na exata proporção da programação que fazem da vida. Mais uma vez, esse chip falta-me...
Eu digo, sem qualquer dúvida, que ser mãe é aquilo que mais me faz feliz em todo o mundo e que acho que ser mãe pode satisfazer plenamente uma pessoa. E que nunca tive saudades da minha vida antes da Marta, em nenhum momento.
Amor, amor, amor .

Wednesday, April 30, 2014

Necessidades e desejos.


Contou-me a minha filha que hoje foram à escola dela duas pessoas (calculo que psicólogos), falar às crianças/alunos sobre "necessidades" e "desejos" e as diferenças entre eles; inclusivamente tiveram de fazer uma ficha para distinguirem e aprenderem a pensar sobre estes dois conceitos. Desde que chegou a casa que não pára de falar sobre isto e de pedir e dar exemplos de "necessidades" e "desejos". A páginas tantas, faz-me a pergunta que, creio eu, a maior parte das pessoas deveriam fazer a si mesmas antes e depois de terem filhos e que eu considero ser uma das perguntas de mais complexa resposta:


"Mãe, ter um filho, é um desejo ou uma necessidade?".

É por estas e por outras que eu aprendo e reflicto tanto com a Marta.
Brutal...

Tuesday, April 22, 2014

Hábitos eficazes.

De vez em quando, naquelas tardes em que fico sozinha em casa e consigo ter tempo para, simplesmente, pensar, gosto de ir à biblioteca do corredor (que bom que é viver com alguém que também ama os livros) e retirar meia-dúzia de livros por tema. Depois coloco-os na mesa, no chão ou no sofá, consoante a minha vontade ou estado de espírito e folheio-os, consoante me vai apetecendo. 

Também tenho outro hábito, que é ligar a televisão e pôr um filme qualquer que eu sinta que tem algo para mim. Hoje o filme foi o Munique, e os livros foram, entre outros, O Livro Secreto das Vendas, Linguagem Corporal, A Décima Revelação, e um livro muito, muito curioso, chamado Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, do Stephen Covey. Isto porque me preparo para abraçar um novo projeto profissional, bem diferente dos anteriores, e quero preparar-me, entre outras coisas, com livros técnicos de desenvolvimento pessoal e profissional.

Encontrei então, no último livro referido, esta passagem, nem de propósito, muito conectada com o texto que me "saiu" hoje de manhã aqui no blogue:




"Considere as diferenças e os frutos das duas abordagens:

CORAÇÃO:


Tendência cultural:


usar os relacionamentos com os outros para favorecer os seus interesses pessoais e egoístas.


Princípio: 


ouvir profundamente os outros com respeito e servi-los são atitudes que causam enorme realização e alegria."



Let's give it a thought :).



Coisas.

Eu estudei um pouquinho de Astrologia (mesmo pouquinho), e nunca mais consegui olhar para as coisas da mesma forma, muito menos para mim. Mas não vejo tudo através da lente da Astrologia, que também pode servir para nos desculparmos ou controlarmos as coisas. Há quem diga que quem acredita "nestas coisas" é fraco ou é maluco ou completamente "freak". Eu acredito em muitas outras coisas, algumas nem vou dizer, mas entre elas estão vidas passadas e reencarnação. E acredito nelas não porque precise de acreditar desesperadamente em algo, mas porque nunca percebi nada do que me acontecia a mim, aos outros e ao mundo baseando-me apenas no acaso e na sorte... e porque é muito triste passarmos a vida a culpar os outros e as circunstâncias por aquilo que nos acontece e achar que somos frutos do nada, que nascemos por nascer e andamos cá por andar, mas cada um sabe de si, a mim também me acontece, tantas vezes, sentir isto... Eu, com essa tendência bem impregnada (ainda hoje se acordo mal-disposta acho instintivamente que a culpa é da vizinha que fez barulho de manhã), não passo um dia sem me tentar melhorar como pessoa, e em alguns momentos percebo que a única coisa a fazer é chorar coisas que foram acontecendo, celebrar outras...




O "problema" é que olho à minha volta e vejo apenas uma ou duas pessoas verdadeiramente espirituais (a espiritualidade - a verdadeira - é, para mim, [opinião pessoal, entenda-se], o único caminho possível, porque permite todas as variantes mais benéficas de comportamento), daquelas que não são espirituais por curriculum, mas porque são verdadeiramente boas e se questionam e tentam mudar-se a elas mesmas e não andam a pregar o peixe para encher o próprio ego e o dos outros. Mas...se ainda me revolto com o que os outros fazem, dizem ou são, isso é contraproducente para a minha proposta de vida, para aquilo que desejo para mim e para a minha filha. É estúpido, eu sei...





Então com ela consegui ir fazendo aquilo que não consegui ainda noutras áreas de vida (a profissional por exemplo), que foi mostrar-lhe que mesmo quando as pessoas parecem más, têm um lado bom; falar bem de quem fala mal de nós; ensiná-la a rir quando está a fazer uma birra; explicar-lhe que não basta pedir coisas ao anjo da guarda, é preciso ser boa pessoa, todos os dias; escolher bem os amigos e afastar-se de pessoas que não a tratam bem, tanto quanto possível; enfrentar as situações mais chatas sem as adiar; não viver de aparências e perceber bem aquilo que quer e como o conseguir; saber que nasceu fruto de amor; ter a noção que para contar com os outros é preciso saber estar lá para eles sem que eles tenham sempre de nos pedir; dar graças pelas coisas que temos e saber o valor de cada uma delas. Gostava de conseguir fazer mais isso comigo mesma, de forma irrepreensível, todos os dias. Acho que este é o meu maior objetivo de vida. Acredito que vou conseguir  .

Friday, January 03, 2014

Back to life.

Tenho blogues desde 2004, sensivelmente. O primeiro foi este, um blogue gutural, instintivo, onde escrevia e publicava imagens minhas, bem pessoais, sem pensar muito nas consequências.
Sempre gostei de escrever e de ser lida, sem ter de dar muitas explicações sobre daquilo que ali ficava registado. Sempre gostei de ler textos meus 1 ano depois de os ter escrito, porque me parecia sempre que profetizavam a situação presente. Sentia-me bem, sentia-me crescida, sentia-me perto da minha essência.
Depois a vida complicou-se...ou eu é que a compliquei e comecei a ser como as pessoas que dizem "gostava de, mas já não tenho tempo para isso". Hoje decidi que vou deixar de ser essa pessoa e voltar um pouco mais ao que eu era, ao que eu sou.
E por isso resolvi voltar ao Alma, porque de todos os blogues que já tive, foi o que mais herança escrita me deixou.
Apagarei, no entanto, os posts passados. Porque são isso mesmo. Passado.
Obrigada pela inspiração!

Wednesday, September 02, 2009

"E foi assim, com uma mistura de reserva e audácia, de submissão e revolta cuidadosamente concertadas, de extrema exigência e prudentes concessões, que eu, finalmente, me aceitei a mim próprio."

(in Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar)

Wednesday, June 29, 2005

Naturalismo II




Naturalismo I